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Doe leite materno e salve vidas

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Os dois primeiros meses após o nascimento dos meus filhos foram marcados pelo excesso de leite. Já contei em outro post que empedrava e eu sempre tinha de tirar. Com minha primeira filha eu não tinha cabeça para pensar em outra coisa que não fosse cuidar exclusivamente dela, mas, quando nasceu meu segundo filho, eu aproveitei e relaxei mais e consegui fazer outras coisas além de cuidar exclusivamente do bebê (foi uma questão de necessidade, pois já tinha a minha filha).

Eu sempre fiquei com dó de jogar o leite fora e não tinha a necessidade de armazenar para meu filho porque ele ficava 24 horas comigo, além disso, o leite tem prazo de validade (12 horas na geladeira e 15 dias no congelador). Foi então que surgiu a ideia de doar o leite. Conversei com a pediatra e ela me disse que não haveria problema, pois era o excedente, não faltaria para meu bebê. Sem pedir a opinião ou avisar qualquer pessoa, entrei em contato com o Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital da Mulher de Santo André que agendou uma visita em minha casa.
No primeiro encontro foi feito um questionário com perguntas básicas sobre a mãe e o bebê. Também recebi orientação de como ordenhar e armazenar e foi coletada uma amostra do meu sangue para realização de exames. Tudo é muito rigoroso – e tem de ser!
Foram deixados comigo dois frascos de vidro com tampa plástica, etiquetas para identificar data da coleta, touca e máscara. Fiquei assustada quando vi aqueles dois recipientes e brinquei que não daria conta, mas a enfermeira Fernanda (uma graça de pessoa – não sei o sobrenome dela) disse que não era para eu me sentir pressionada, que na semana seguinte ela iria na minha casa retirar os frascos com qualquer quantidade de leite e, caso não tivesse nada, poderia adiar a visita em mais uma semana.
Por incrível que pareça, eu consegui completar os dois frascos. Fiquei orgulhosa! Sabia que estava ajudando alguns bebês. Mas minha doação não durou muito, apenas um mês e meio, porque, como já falei em outro texto, comecei a tomar anticoncepcional e coincidentemente a quantidade de leite diminuiu drasticamente. Fiquei muito triste em ter de avisar que não poderia mais doar e por isso resolvi escrever este post, para incentivar outras mulheres que amamentam a doarem leite.
Veja como funciona a doação de leite:
Para os bebês que necessitam do leite humano para sobreviver, o gesto de doação contribui para redução da mortalidade infantil e melhora da qualidade de vida dos bebês beneficiados, e ainda ganha a gratidão de muitas mães. A doação de leite beneficia os bebês que estão na UTI Neonatal cujas mães enfrentam dificuldade em manter a produção de leite materno por não ficarem perto do filho o tempo todo e pelo estresse que passam.
Recebendo o leite materno doado, esses bebês têm mais chances de recuperação e também de viver com qualidade se a alimentação for exclusiva de leite humano. A cada ano, aproximadamente 400 bebês necessitam do leite que vem do BLH de Santo André, que conta atualmente com cerca de 300 doadoras por ano.
A doação é feita por meio da coleta externa, uma vez por semana a equipe do banco de leite vai levar os vidros e retirar os vidros cheios. É feito um roteiro e cada dia é feita uma região, sendo que as mães só têm o trabalho de ordenhar. Vale lembrar que o banco de leite não tem como dar bombas de tirar leite, são fornecidos apenas os frascos de armazenamento e o kit de higiene.
Quando o leite humano chega ao banco, passa por um rigoroso controle de qualidade. O leite doado destinado ao consumo de recém-nascidos da UTI Neonatal não deve apresentar microrganismos em quantidade ou qualidade capazes de representar agravos à saúde. Dessa forma, é feita a pasteurização, procedimento capaz de assegurar a qualidade sanitária do leite. Trata-se de um tratamento térmico aplicável ao leite humano, que adota como referência a inativação térmica dos microrganismos resistentes.
Toda mulher saudável que esteja amamentando pode doar leite sem que isso traga algum tipo de prejuízo ao filho. Podem doar mulheres saudáveis, que não fazem uso de nenhum medicamento que não seja compatível com a amamentação, que não fumam mais que 10 cigarros por dia e que não ingerem bebidas alcoólicas. As doadoras têm de mostrar o cartão de acompanhamento do pré-natal, realizar cadastro, exames laboratoriais e passar por avaliação clínica.
Ficou interessada? Entre em contato com a equipe do Banco de Leite Humano da sua cidade. Em Santo André, o atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos finais de semana e feriados, das 7h às 13h. Mais informações pelos telefones (11) 4478-5048 ou 4478-5027. Ah, o banco de leite também aceita a doação de frascos de vidros com tampas de plástico. Até a próxima.

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