Saúde e bem-estar

Os números da obesidade e o que fazer para conter essa epidemia mundial

* Artigo escrito por Dr. João Aguiar, médico com graduação em Endocrinologia Clínica, medicina do esporte e fisiologia do exercício

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo poderia chegar a 75 milhões, caso nada seja feito.

Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde acaba de divulgar uma pesquisa mostrando que em 10 anos o número de obesos cresceu 60% e contribuiu para o aumento dos casos de doenças sistêmicas. A gordura visceral tem efeitos inflamatórios no organismo e potencializam as chances de Diabetes, infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) e câncer.

A incidência é maior em mulheres (59,8%) do que em homens (57,3%) e mesmo em  crianças o número é alto, em torno de 15%. A prevalência de  obesidade infantil vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, sendo caracterizada como uma verdadeira epidemia mundial. Este fato é bastante preocupante, pois  doenças observadas  em  adultos  como  hipertensão ,dislipidemias e diabetes já vem sendo diagnosticadas  frequentemente  em jovens.

A obesidade é uma doença de causa multifatorial, estando envolvidos fatores genéticos e ambientais. Percebe-se um traço familiar, de modo que filhos de pais que estão acima do peso têm risco aumentado de se tornarem  obesos. Contudo, não é uma tarefa simples avaliar até onde vai o papel da genética e qual a contribuição dos fatores ambientais, pois, além da hereditariedade, pais e filhos costumam compartilhar hábitos alimentares e de atividade física semelhantes.

Os fatores mais consistentes que poderiam explicar este crescente aumento do número de indivíduos obesos estão mais relacionados às mudanças no estilo de vida, com a diminuição da prática de exercícios físicos e aumento no consumo de alimentos ricos em açúcares simples e gordura, vale ressaltar que os problemas endocrinológicos  e metabólicos são responsáveis por  apenas 2% dos casos em crianças.

Para o tratamento da obesidade o ideal é adotar uma abordagem multidisciplinar com médico (pediatra e endocrinologista), nutricionista, psicólogo e educador físico. E esse tratamento deverá ser  iniciado o  mais breve possível, pois  quanto  maior a idade  e peso mais  difícil será a reversão de hábitos incorporados e alterações metabólicas.

É preciso ainda adotar medidas de caráter informativo  e  educativo que podem e devem ser implantadas, principalmente, no currículo escolar (educação nutricional). Entre essas medidas estão: o aumento  da carga  horária  de Educação Física e estímulo à prática desportiva, além da necessidade de se promover a limitação do número de propagandas de  alimentos que possam trazer algum mal  à saúde.

O Brasil através do Ministério da Saúde assumiu como compromisso atingir três metas: deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019. O importante é que todos tenham consciência da necessidade de atuar juntos para conter o aumento desses números.

* Dr. João Aguiar é médico com graduação em Endocrinologia Clínica, medicina do esporte e fisiologia do Exercício.

Mais informações no site https://www.drjoaoricardoaguiar.com.br/

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