Fica a dica, Saúde e bem-estar

Pedagoga analisa espaços físicos escolares para crianças

Como os espaços para bebês e crianças pequenas podem ser organizados? Quais estratégias podem ser estruturadas para que as crianças se identifiquem com o espaço e se sintam pertencentes ao universo escolar? Renata Pavesi Cocito, apresentou dissertação de mestrado pela Unesp de Presidente Prudente, em que desperta um olhar crítico sobre estas questões.

“Nossa pretensão não é oferecer um manual ou uma “receita pronta” sobre a maneira de organizar os espaços em uma instituição para criança”, diz a pesquisadora. O objetivo é construir caminhos que possibilitem perceber todo o potencial educativo que os espaços contém.

Para Renata, o espaço nos transmite mensagens e nos dão pistas acerca da maneira de compreender a infância. Ela ressalta que a organização dos materiais, do mobiliário e da decoração condiciona a nossa forma de agir.

Como exemplo, ela cita a organização de uma sala de aula que pode conter estantes altas, materiais (livros, brinquedos, jogos) em armários fechados e carteiras e cadeiras enfileiradas. “Esta organização indica que as crianças ocupam um espaço individualizado, que não favorece a relação entre elas”.

Por outro lado, uma sala pode ser organizada com materiais disponíveis e acessíveis como: estantes baixas – com diversos suportes como biombos, puffs, cortinas, cavaletes, tapete, almofadas, arara com fantasias – e baú com livros variados. “Esta nova estrutura convida os alunos a interagirem com os materiais e com as outras crianças”.

Um outro ponto que a pesquisadora destaca é sobre os aspectos subjetivos da organização do espaço, que dizem respeito às ações que serão executadas pela escola para favorecer o acolhimento, o aconchego e a segurança das crianças.

“Desta forma, o espaço tende a tornar-se mais humanizado e acolhedor, fazendo com que a criança tenha vontade de esta lá e de pertencer àquele local. É importante que o espaço tenha marcas da autoria e da presença das crianças, que suas produções sejam expostas e valorizadas”.

A ordem é brincar!
“Brincar não é uma questão de escolha da instituição, é uma obrigação, uma determinação legal”, diz Renata que também é supervisora do Centro de Convivência Infantil (CCI), da Unesp de Presidente Prudente.

Para ela, ao brincar a criança desempenha diversos papéis, fantasia, levanta hipóteses, estabelece relações. “O brincar é uma forma da criança viver, experienciar e apreender o mundo que a cerca”, reforça.

Já o papel do professor é de mediador, de parceiro mais experiente, e deve sempre ser “dosado” entre os momentos de aproximação e de distanciamento. Na hora da brincadeira, a criança também necessita de autonomia e liberdade.

Renata conta que os estímulos presentes no ambiente, a diversidade de materiais, o mobiliário, a decoração, as cores, os odores, os sons, o conforto térmico, a interação, a brincadeiras e as relações são elementos essenciais para o desenvolvimento infantil. “Esse conjunto de elementos complementam os contextos vividos no espaço da instituição e que podem deixar “marcas”, tornando o espaço significativo, dotado de valor”.

Segundo a orientadora da pesquisa, a professora Fátima Aparecida Dias Gomes Marin, do departamento de Educação da Unesp de Presidente Prudente, a pesquisa apresenta uma revisão teórica criteriosa sobre a organização do espaço nas instituições de Educação Infantil embasada em autores das áreas da Educação e da Geografia. O trabalho exibe descrições e análises detalhadas de como o espaço é abordado nas pesquisas científicas e nos documentos oficiais referentes à Educação Infantil no Brasil.

Para ela, o aprofundamento teórico e a vivência profissional da pesquisadora resultaram em um texto coeso, de linguagem clara e de expressivo significado como fonte de estudos e de inspiração para os profissionais da Educação Infantil, empenhados em qualificar os espaços como elementos curriculares. “São sugeridas propostas para a (re)estruturação dos espaços de instituições que atendem bebês e crianças pequenas de maneira que favoreçam o acolhimento, o sentimento de pertença e a constituição do espaço como lugar”, finaliza.

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