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Especialistas alertam sobre a polêmica da limpeza da gengiva e o uso da chupeta

Desde 1992, a Semana Mundial do Aleitamento Materno é comemorada entre os dias 1 e 7 de agosto. Neste ano, o tema da campanha é “Aleitamento materno: a base da vida” – reforçando a importância da amamentação para proporcionar uma melhor saúde física, mental e emocional ao longo da vida para crianças e mães.

Com o intuito de contribuir para a conscientização que a data propõe, especialistas alertam sobre algumas práticas que dividem opiniões relacionadas à amamentação e à saúde bucal, como, por exemplo, a limpeza da gengiva do bebê após cada mamada, geralmente feita pelos pais com uma gaze umedecida em água para higienizar gengiva, bochecha e língua da criança.

De acordo com dr. Gabriel Politano – odontopediatra do Ateliê Oral Kids – essa limpeza não é necessária, pois a gaze removeria os anticorpos provindos do leite materno, que dão uma proteção natural ao tecido que recobre o osso. “Ao removerem células de defesa e ainda tentarem limpar com algo que não está esterilizado ou devidamente higienizado, os pais podem acabar contaminando a boca da criança. É importante saberem que a saliva já tem o papel de retirar os resíduos do leite da cavidade bucal”, ressalta.

De acordo com o especialista, a mesma recomendação vale para crianças que tomam fórmula, pois não existem doenças que são ocasionadas pela deposição de fórmula em uma boca sem dentes. No entanto, a remoção da fórmula, apesar de não ser necessária diariamente não teria tanto efeito prejudicial como a remoção do leite materno.

A nova recomendação da Associação Brasileira de Odontopediatria é que a higienização bucal só comece após o nascimento do primeiro dente. “Para isso, a melhor forma possível de se remover a placa bacteriana da boca da criança é com uma escova de dentes macia e adequada para a faixa etária (acima de 6 meses até 2 anos) e com pasta dental com flúor na concentração acima de 1000 ppm, pelo menos duas vezes ao dia, na quantidade de um grão de arroz”, diz Politano.

E sobre a polêmica de oferecer a chupeta para o bebê logo após a amamentação para evitar que ele fique sugando ar depois que o leite acabar? O que diz o especialista?

Dr. Gabriel Politano pondera que essa decisão está muito relacionada a questões de filosofia pessoal, de disponibilidade de tempo e de condições físicas e psicológicas da mãe. Mas, em teoria, ficar mais tempo no peito da mãe seria bem menos prejudicial ( ou nada prejudicial) do que a chupeta. “O uso inadequado da chupeta pode deformar o osso a ponto da criança precisar usar o aparelho. Se os pais optarem por usar a chupeta que o façam apenas em momentos pontuais para acalmar a criança e de forma racional, no momento do sono. A indicação é evitar no primeiro mês de vida é remover o hábito antes dos 2 anos de idade. Depois disso, entre dois e três anos, os ossos tem grande chance de estarem deformados porque a criança ficou deglutindo com a chupeta.

Benefícios da amamentação

Além das polêmicas, o especialista também destaca os benefícios da amamentação para a saúde bucal dos pequenos. O aleitamento natural é a melhor opção para favorecer o exercício da sucção do bebê, muito importante para o desenvolvimento muscular e ósseo do rosto. Ele ajuda a projetar para frente o queixo do bebê que, em geral, nasce posicionado mais para trás. Ao mamar no peito, a criança também aprende a respirar pelo nariz e a posicionar a língua.

A amamentação também exerce função essencial na formação dos dentes, já que contém todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento nos seis primeiros meses de vida. Durante a fase de amamentação muitos dentes permanentes estão recebendo cálcio para sua adequada formação.

Além dos nutrientes, o movimento de sucção que os bebês fazem é essencial na formação da arcada dentária. “A posição dos dentes e do maxilar podem alterar neste período, e a amamentação auxilia para que os dentes nasçam na posição correta, evitando futuras correções com o uso de aparelhos ortodônticos e colaborando para que as funções de cada dente sejam mantidas no momento da mastigação – o que pode evitar diversos problemas futuros, como a má-oclusão, por exemplo”, afirma.

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